As projeções para a safra 2023/2024 para a cana, o açúcar e o etanol

Imagem: Jesuino Souza, SXC Imagem: Jesuino Souza, SXC

18/10/2013

Conheça abaixo as previsões para os próximos anos para a produção e mercados da cana, do açúcar e do etanol, com base no estudo “Outlook Fiesp 2023”, recém concluído pelo Departamento do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deagro/Fiesp), desenvolvido em conjunto com a MB Agro, braço da consultoria MB Associados, liderada pelo economista Alexandre Mendonça de Barros.

“A produção brasileira de açúcar passou de 16,3 milhões de toneladas em 2000, para 38,2 milhões de toneladas em 2013. Nesse intervalo de tempo, a produção do Nordeste cresceu aproximadamente meio milhão de toneladas, chegando a 4 milhões de toneladas, enquanto o Centro-Sul foi responsável pela maior parte do aumento da oferta, permitindo ao Brasil ser o maior fornecedor do produto no mercado internacional, chegando a responder por metade das exportações mundiais do período.

Até a criação do carro ‘flex-fuel’, em 2003, a produção do setor sucroalcooleiro do Centro-Sul do País era prioritariamente voltada para o açúcar. A partir dessa data, houve uma inversão em favor do etanol, que atingiu 58% da participação em 2008/2009. Com a quebra da produção da Índia, em 2009/2010, e a baixa rentabilidade do etanol, em razão da política de preços de combustíveis do País, a atividade voltou-se gradativamente para a produção de açúcar, que passa a utilizar cerca de 50% da oferta de cana para moagem.

Na safra 2012/2013, a produção brasileira de etanol, impactada pelos problemas do clima e de produtividade, caiu para 23,2 bilhões de litros. No entanto, em relação a 2000, a oferta brasileira aumentou em 120%. Entre 2000 e 2008, quando a expansão do etanol chegou ao seu auge, o crescimento foi de 160%, ofertando ao mercado um adicional de 16,9 bilhões de litros.

A continuidade do crescimento das vendas de carros ‘flex-fuel’ e da demanda mundial pelo açúcar oferecem ao setor um horizonte de recuperação no longo prazo, mas que deve passar por ajustes nos próximos anos, incluindo a necessidade da revisão das políticas governamentais. O superávit entre a oferta e a demanda global do açúcar, que se ampliou nas últimas safras com o aumento da produção da Índia e dos países que têm a beterraba como matéria-prima, tende a se reduzir em razão do patamar atual dos preços do produto.

Como consequência, as cotações do açúcar deverão passar por um novo movimento de alta no médio prazo, o que poderá oferecer alguma condição para a retomada dos investimentos na elevação da capacidade de produção daqui a alguns anos.

EXPORTAÇÃO
O Brasil é o principal fornecedor de açúcar no mercado internacional, com, aproximadamente, 50% do volume total, seguido pela Tailândia que, devido a um surpreendente ritmo de crescimento de 14% ao ano na última década, já representa 14% das exportações globais.

Na safra 2013/2014, o País deve colocar no mercado internacional 26,7 milhões de toneladas do produto. Desse total, 80% deve ser de açúcar em bruto, enviado para mais de 80 países, sendo os principais a Rússia, o Irã e a China. Já o restante embarcado corresponde ao açúcar refinado, que é exportado para mais de cem mercados, tendo como principais destinos os países árabes e asiáticos, como os Emirados Árabes, o Iêmen e o Paquistão.

Quanto ao etanol, a partir do Energy Policy Act norte-americano, de 2005, o Brasil viu suas exportações deslancharem para os EUA, chegando a 4,7 bilhões de litros em 2008/2009. Esse salto nos embarques ocorreu enquanto os EUA não tinham oferta interna suficiente para atender às exigências estabelecidas. Com os investimentos americanos na produção de etanol de milho, as vendas do combustível brasileiro foram reduzidas, chegando a 1,9 bilhão de litros em 2010/2011.

No entanto, de acordo com a política dos EUA para os combustíveis renováveis, estabelecida a partir de 2009, uma parcela crescente de biocombustíveis avançados, que reduzem as emissões de gases do efeito estufa em pelo menos 50% em relação à gasolina, passaria a fazer parte do consumo de combustíveis do país. Com a tecnologia existente, apenas o etanol de cana-de-açúcar satisfaz esses requisitos e tem oferta suficiente para atender o mercado, posicionando o Brasil como principal fornecedor para suprir grande parte dessa lacuna.

Entretanto, com os problemas de produção enfrentados pelo Brasil, em 2010/2012, as exportações mantiveram-se em 1,9 bilhão de litros, ao mesmo tempo que houve a necessidade de importar 1,5 bilhão de litros de etanol dos EUA, para suprir a demanda doméstica do combustível. Em 2012/2013, as exportações brasileiras de etanol voltaram a crescer, somando 3,5 bilhões de litros, embora o Brasil siga importando o produto em menores quantidades.

No que diz respeito ao mercado internacional, a demanda por etanol de cana-de-açúcar tende a crescer, se mantido o atual modelo do mandato norte-americano para biocombustíveis. Além dos EUA, outros países colocam em prática o uso de etanol na matriz energética e o déficit entre a oferta e a demanda mundial desse produto tende a manter o Brasil como seu principal fornecedor.

No caso do açúcar, o consumo mundial se comporta quase de maneira independente das oscilações das economias e tende a seguir o crescimento da população, o que deve agregar um volume adicional de 29,8 milhões de toneladas à demanda nos próximos dez anos.

O Brasil deverá responder por cerca de 7,6 milhões de toneladas adicionais à oferta do produto nesse mesmo período, o que corresponderá a 23% da oferta global.

CONSUMO
No Brasil, o consumo de açúcar é de cerca de 11,5 milhões de toneladas e cresce de acordo com o aumento da população.

Em relação ao etanol, verifica-se que o seu consumo concentra-se na Região Sudeste do País, com 69% do total no caso do hidratado. Nessa área, a demanda pelo produto cresceu 147% desde 2000, chegando a 10,7 bilhões de litros em 2009. A expansão do setor no Centro-Oeste, possibilitou a ampliação da oferta, com reflexos no consumo, que cresceu 159% no mesmo período.

Vale destacar que, apesar desse crescimento, em 2012 houve um recuo no consumo do hidratado de 6,5 bilhões de litros em relação a 2009, influenciado em grande parte pela perda da paridade com a gasolina, cujos preços vêm se mantendo artificialmente baixos pela política governamental para o combustível.

O etanol anidro, que é adicionado à gasolina em uma proporção de 18% a 25%, tem a sua demanda concentrada no Sudeste, com 45% do total, enquanto as regiões Sul e Nordeste participam com 20% e 18%, respectivamente.

O cenário contemplado nas projeções considera uma reversão da política nacional vigente da gasolina A, levando uma maior convergência com os preços internacionais do combustível. Em tal cenário, haverá condições do etanol voltar a ganhar competitividade
em relação à gasolina C e sustentar uma elevação do consumo médio do hidratado a partir dos próximos 3 ou 4 anos. Quanto ao anidro, adota-se a hipótese de manutenção de 25% da mistura com a gasolina. Portanto, sua demanda segue a taxas ligeiramente crescentes, de acordo com a participação do uso da gasolina na frota flex.

DINÂMICA REGIONAL
A expansão das usinas e dos canaviais na primeira década de 2000 não ocorreu somente nas áreas já consolidadas do setor, mas também em Estados não tradicionais para o cultivo da cultura, como Goiás e Mato Grosso do Sul. Nos próximos anos, estas regiões de expansão mais recente tendem a apresentar crescimento relativamente superior às tradicionais, já consolidadas.

A Região Sudeste, mais tradicional, deve apresentar um acréscimo da área ocupada de 11% até 2023, em relação à de 2013, o que representa, aproximadamente, 616 mil hectares, resultado próximo do previsto para o Centro-Oeste. Embora próximas em termos absolutos, a ampliação das áreas nas regiões menos tradicionais atingirão 41% no período.

Assim, a participação do Centro-Sul na produção de cana passa de 91%, em 2013, para 89%, em 2023. Dentro dessa região, as áreas de expansão mais recente devem ampliar sua participação na produção de 19% para 22% do total.

Na safra 2023/2024, prevê-se que a área de produção da cana-de-açúcar terá crescimento de 19,6%, ocupando 10,5 milhões de hectares. Ao mesmo tempo, prevê-se que a produção crescerá 32,5% chegando a 861,9 milhões de toneladas. Já produtividade tende a crescer 11%, chegando a 82 toneladas por hectare.

A produção de açúcar terá crescimento de 17,2%, para 44,8 milhões de toneladas, com exportações líquidas crescendo 21,3% chegando a 32,4 milhões de toneladas, enquanto que a demanda doméstica deve crescer 7,5%, chegando a 12,4 milhões de toneladas.
Para o etanol, as previsões são de crescimento de 67%, para 45,4 bilhões de litros com exportações crescendo 20,7% para 4,9 bilhões de litros. Já a demanda doméstica deve crescer 74,6% para 40,3 bilhões de litros, enquanto que a frota brasileira de veículos chegará a 57,5 milhões de unidades, das quais 28% serão de carros ‘flex-fuel’.

Nos próximos 10 anos, a safra canavieira na região Sudeste deve crescer 23%, representando 61,1% do total, enquanto que na região Centro-Oeste, o crescimento será de 59,9%, representando 22,4% da produção nacional. A região Nordeste terá crescimento de 56,4%, para 9,8% do total, enquanto que a região Sul crescerá 12,7%, para 5,9% do total. A região Norte crescerá 71,2%, para 0,7% do total.

Fonte: BrasilAgro