Brasil consolida primeira venda ao Iraque

Imagem retirada de http://bagpropaganda.wordpress.com/2011/10/15/arroz-cremoso/ Imagem retirada de http://bagpropaganda.wordpress.com/2011/10/15/arroz-cremoso/

02/12/2013

Na semana em que o embaixador do Iraque no Brasil Adel Mustafa Kamil Al-Kurdi anunciou o fim do embargo à exportação de arroz brasileiro àquele país árabe, por meio de uma negociação intermediada pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) junto à Câmara de Comércio Brasil - Iraque, em audiência com o governador Tarso Genro, o primeiro negócio já foi fechado.

Na última segunda-feira, dia 25 de novembro, o governo do Iraque promoveu uma licitação de compra de arroz e adquiriu 60 mil toneladas do grão, 30 mil do Brasil e 30 mil do Uruguai. Segundo divulgado pelo site oryza.com, fontes comerciais informaram que o governo iraquiano comprou o cereal brasileiro por média de US$ 693,47 por tonelada CIF Free Out (ciffo) e arroz do Uruguai para cerca de US $ 715 por tonelada (ciffo).

MAIS EXPORTAÇÕES
O vice-presidente de Mercados e Política Agrícola da Federarroz, Daire Coutinho, considerou esta primeira negociação muito positiva, especialmente pela projeção do Iraque de comprar até 180 mil toneladas de arroz brasileiro por ano. “Pela projeção atual da Conab, que deve ser ultrapassada, isso representa entre 15% e 20% do total das exportações brasileiras, o que pode configurar um avanço importante nas vendas externas em 2014/15”, revela. Segundo ele, atualmente a rentabilidade do arroz aos produtores e o equilíbrio do mercado interno brasileiro dependem de uma venda de pelo menos um milhão de toneladas ao exterior.

Para Daire Coutinho, essa é a forma encontrada pela cadeia produtiva para reduzir o impacto das importações do Mercosul, que têm grandes vantagens competitivas e subsídios indiretos para concorrer com o arroz brasileiro no mercado interno, bem como dar suporte a futuros avanços produtivos. Isso porque as tecnologias e potencial de produção brasileiros são significativamente maiores do que os resultados das safras recentes. “Nosso limitante é o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno. Se exportarmos entre 1,2 e um 1,5 milhão de toneladas, anualmente, haverá um quadro de oferta e demanda mais ajustado e rentável e poderemos seguir investindo em ganhos por escala”, assegura.

Conforme Coutinho, as últimas medidas são muito importantes, pois demonstram que a exportação de arroz deixou de ser um tema exclusivamente da cadeia produtiva e tornou-se uma política de governo, que abrirá muitas novas oportunidades. De acordo com o dirigente, além de ações como as que estão sendo construídas pelos governos e instituições de suporte às exportações, como nos casos de protocolos firmados com Iraque, Nigéria e a missão que está na China, com o arroz também na pauta, é importante que haja investimentos em logística. “Mais do que ingressar em novos mercados, precisamos mantê-lo. E para isso os investimentos em logística e transporte e as políticas de suporte à exportação e desoneração tributária são vitais”, reforça.

Desde 2006 o Brasil, que era um dos 10 maiores importadores de arroz do mundo, tornou-se também um dos 10 maiores exportadores, chegando a alcançar a sexta posição, atrás apenas da India, Tailândia, Vietnã, Estados Unidos e Paquistão, e superando exportadores tradicionais como Uruguai e Argentina.

Fonte: Federarroz