Brasil é o próximo grande player no mercado mundial de leite

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24/09/2014

O Brasil tem água, terra, tecnologia para produzir leite e consumidores com renda em crescimento, prontos para consumir o que for produzido. Esta afirmação foi feita ontem, na abertura da 8ª. Agrotecno Leite, evento que acontece entre os dias 22 a 25 de setembro, no Centro de Eventos e no Campo Experimental da Universidade de Passo Fundo, UPF, em Passo Fundo, RS. A palestra foi apresentada pelo Chefe Geral da Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora, MG, Paulo do Carmo Martins, e tinha como tema Produção, demanda e visão estratégica para o Brasil no mercado de lácteos.  

Segundo Martins, a população brasileira está crescendo e ainda não está, como em países europeus, por exemplo, com alto índice de envelhecimento. Soma a isto o fato das classes C, D e E, estarem aumentando a sua renda, o que leva a um aumento no consumo de proteína animal, via produtos lácteos. “Todo este cenário nos garante um futuro a curto e médio prazo de pleno sucesso para o produtor de leite e para toda a cadeia produtiva” salienta o pesquisador.

Mesmo assim, ele alerta que para ter resultados positivos na atividade é preciso que o produtor ou aquele que queira entrar na atividade, se vista com quatro personalidades; o capitalista, o empresário, o administrador e o trabalhador. Conforme explica Martins, o capitalista é o que vê a atividade e a propriedade como um negócio que deve ser tão rentável quanto uma aplicação no mercado financeiro. “Ele é um conservador e só arrisca se tiver certeza do retorno”, assinala. O outro personagem é o empresário. O pesquisador diz que este é o que tem o espírito empreendedor, que busca tecnologias para melhorar o negócio.

Depois, vem o administrador que vive a propriedade de forma intensa e é a pessoa preocupada com a gestão da propriedade, com a eficiência, a produtividade e a qualidade do produto. E, por último, acrescenta Martins, temos o trabalhador, aquele que realiza as atividades na propriedade, conhece os animais, está interessado que o negócio leite dê certo para continuar a ter seu emprego. “Quem quer ficar na atividade precisa querer ganhar dinheiro com ela. Não dá mais para ser romântico na atividade porque se for agir assim, ela empobrece aos poucos e vai acabar fechando as portas”, afirma o pesquisador.

Consumo Interno - Martins ressalta que oportunidades para dar certo existem. De acordo com ele, países que antes dominavam o cenário da produção leiteira, como Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos e os da União Européia, já chegaram ou estão chegando aos seus limites produtivos. Resta ainda a África que ainda precisa aprender a produzir e o Brasil, que desenvolveu tecnologia para produzir alimento no clima tropical, possui ainda 601 milhões de hectares disponíveis, água e gente competente para trabalhar no campo. “Todo isto somando coloca o Brasil como o grande player na produção de alimentos”, assinala o pesquisador. Ele afirma que o Brasil é o único país cuja próxima geração será mais rica que a anterior. “O PIB brasileiro vem crescendo mais que a população o que reflete no aumento da renda per capta e, por consequência, na capacidade de consumo de alimentos”, esclarece Martins.

Ele afirma que hoje a produção brasileira é maior que o consumo interno que está em 170 litros per capta/ano. Com esta realidade de aumento de renda o consumo pode chegar a 270 litros/per capta/ano. Para melhorar o cenário, em 2015 a Europa vai extinguir a cota de importação o que deve abrir mercado para os produtos brasileiros. “Em tudo, podemos ver que o cenário e as perspectivas são extremamente positivas, por isto eu creio que valha a pena investir e continuar na produção de leite”, conclui Martins.

Fonte: Agrolink, com informações da Assessoria de Imprensa