Cana resistente a broca deve estar no mercado até 2017, diz entidade

Diretor comercial do CTC, Osmar Figueiredo Filho. (Imagem: Anderson Viegas/G1) Diretor comercial do CTC, Osmar Figueiredo Filho. (Imagem: Anderson Viegas/G1)

24/01/2014

A primeira variedade de cana-de-açúcar transgênica que será resistente a broca, uma das pragas que causa mais dano a cultura, deve estar no mercado até 2017. A previsão foi feita, na quarta-feira (22), pelo diretor comercial do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Osmar Figueiredo Filho, em palestra no Showtec, em Maracaju, a 162 quilômetros de Campo Grande.

Figueiredo Filho diz que os pesquisadores da entidade já dominam a tecnologia para produzir a chamada cana BT, mas que ainda existem algumas etapas do trabalho de pesquisa a serem desenvolvidas ainda até que o produto chegue ao mercado.

Em relação ao desenvolvimento de variedades que sejam mais tolerantes a seca, mais produtivas e que tenham maior quantidade de açúcar, ele diz que o trabalho de pesquisa está sendo desenvolvido em parceria com outras empresas, como a Basf e a Bayer, e que a chegada dessa tecnologia até os produtores deve demorar um pouco mais, entre 2020 e 2021.

“A colocação de um gene que traga algum tipo de melhoria a cana é mais complexa do que a colocação nos grãos. Às vezes, quando se acrescenta alguma característica se acaba suprimindo outra que também era importante. Por isso, o trabalho é tão complexo”, explica Figueiredo Filho.

Ele lembrou que após um período de 40 anos em que a produtividade do setor sucroenergético brasileiro cresceu 173%, saltando do rendimento de 2,6 mil litros de etanol por hectare para 7,1 mil litros por hectare, entre 1970 e 2010, nos últimos quatro anos esse processo se estagnou.

O diretor do CTC atribui essa estagnação em parte a mudança do modo produtivo do setor, que praticamente abandonou o corte manual e investiu na mecanização, mas continuou a utilizar ainda variedades de cana que haviam sido desenvolvidas 20 anos antes e que não estavam adaptadas a essa nova realidade.

Para retomar o processo de ganho de produtividade, Figueiredo Filho comenta que o CTC aposta em um trabalho mais regionalizado, com clones das novas variedades que forem sendo lançadas, já estando adaptados as condições de clima e solo de cada região produtora.

Fonte: G1, por Anderson Viegas