Equipe econômica reduz previsão para o PIB em 2017

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23/06/2017

O prolongamento da crise política deflagrada pelas acusações contra Michel Temer levou a equipe econômica a reduzir a previsão de recuperação do PIB em 2017.

Em projeções mantidas, por ora, em caráter reservado, ministros e auxiliares do presidente revisaram a estimativa de crescimento de 0,5% para 0,4% este ano.

A variação reflete uma expectativa de desaceleração da retomada esperada para o 4º trimestre, que nas projeções da área econômica caiu de 2,7% para 2,2% em relação ao mesmo período de 2016.

Planalto e Fazenda projetavam que a crise política provocaria redução das estimativas do PIB no último trimestre, mas os impactos só puderam ser quantificados agora.

O cenário mais pessimista para o 4º trimestre se deu pela desconfiança gerada sobre o setor produtivo e o mercado a partir da manutenção da crise —com a sucessão de fatos revelados a partir das delações de executivos da JBS.

Esses efeitos, no entanto, devem ser desprezíveis no 2º e no 3º trimestre.

A revisão para baixo do PIB do ano está em linha com o mercado. Nas últimas semanas, o Itaú Unibanco e o Bradesco reduziram suas estimativas de 2017 para 0,3%.

Tropeços e atrasos das reformas trabalhista e previdenciária desaceleraram a recuperação de investimentos, segundo a equipe econômica, uma vez que esses ajustes são peças centrais da política de austeridade fiscal.

A crise ainda intensificou no mercado o temor de que, para recuperar capital político, o Planalto tome medidas que afetem as contas públicas —como a liberação de emendas parlamentares e a adoção de linhas de financiamento mais generosas.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), minimiza uma possível revisão para baixo das previsões de crescimento. "Reverter uma recessão brutal em meio a um ambiente de embate político e disputa de poder já é um fato positivo."

A meta de Temer, de fato, é entregar um PIB positivo em 2017, como sinal de que sua gestão obteve êxito no esforço de recuperação da economia, após recuos de 3,8% em 2015 e de 3,5% em 2016.

A área política do governo estuda adotar medidas de estímulo, como a ampliação da faixa de isenção do IR, a liberação de linhas de crédito pelo BNDES e políticas de incentivo para serviços e habitação.

fonte: Udop, com informações da Folha de S.Paulo (escrita por Bruno Boghossian)