Evolução do sorgo sacarino para produção de etanol é viável

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22/10/2012

As informações de pesquisa, inclusive no campo, vem aumentando nos últimos meses, levando mais segurança ao produtor na hora da decisão de plantio. A Embrapa Milho e Sorgo teve, juntamente com seis usinas brasileiras de produção de etanol, uma experiência com essa cultura na safra 2011-2012.

O pesquisador André May, que trabalha com sistema de produção de sorgo sacarino, relatou a experiência durante palestra em seminário sobre sorgo sacarino, promovido pela Embrapaem Ribeirão Preto-SP em setembro último. E começou falando sobre quatro pontos: o sorgo sacarino não é igual à cana, mas complementar a ela; ele exige uma velocidade de resposta maior do que a cana quando se tem que tomar decisões; há necessidade de novos conhecimentos a respeito da cadeira produtiva; e o sorgo sacarino é uma cultura que responde bem aos investimentos, mas também é exigente para altas produtividades.

O trabalho foi desenvolvido junto a usinas de São Paulo (dois locais, somando 1.700 hectares semeados em dezembro de 2011 e em janeiro de 2012), de Goiás (outros dois locais, totalizando 1.020 hectares também semeados em dezembro de 2011 e em janeiro de 2012), Minas Gerais (um local, com área de 75 hectares semeada em fevereiro deste ano / safrinha sem irrigação) e Mato Grosso do Sul/Goiás (também um local, somando 100 hectares semeados em março deste ano / safrinha irrigada). Somando-se toda a área, foram 2.895 hectares nos seis estados.

Entre os principais problemas enfrentados, André citou: o desconhecimento da cultura do sorgo sacarino, incluindo ponto de colheita, fertilização e arranjo de plantas; o despreparo das equipes operacional e gerencial; dificuldades para planejamento das operações; problemas para o controle de plantas daninhas; acamamento de até metade da área cultivada (conforme a cultivar usada); e alto custo de transporte devido à baixa densidade de carga colhida.

Tanto a produtividade de colmos (em toneladas por hectare) como a de etanol (em litros por tonelada de colmo) variaram, resultando em produtividades finais (em litros de etanol por hectare) também variáveis. Numa das usinas de São Paulo, por exemplo, a produtividade obtida foi de 2.429 litros de etanol por hectare, com 39,18 toneladas de colmo por hectare X 62 litros de etanol por tonelada de colmo. O pesquisador também deu detalhes com relação, entre outros temas, ao controle de plantas daninhas, pragas e doenças, ao manejo do solo e à colheita mecanizada.

Expansão - Para aumentar a área, a produção e a produtividade do sorgo sacarino, expandindo a cultura, é preciso que algumas necessidades sejam sanadas. Por exemplo: uma evolução rápida das cultivares de sorgo sacarino (com, entre outras características, panículas menores, capacidade de produção acima de 3.000 litros de etanol por hectare e maiores resistências a pragas e a doenças); o registro, junto ao governo, de defensivos agrícolas específicos para a cultura; a redução dos custos de produção, juntamente com a elevação da produtividade; a adequação do arranjo de plantas para maiores produtividades; e o desenvolvimento do semeio diretamente na palha da cana.

A produtividade a que se chegou no trabalho em parceria da Embrapa com as usinas (em números arredondados, 2.400 litros de etanol por hectare, com 40 toneladas de colmo por hectare e 60 litros de etanol por tonelada de colmo) pode, para as próximas safras, aumentar. Com ajustes no manejo da cultura e adequações industriais, há potencial para 3.500 litros de etanol por hectare, com 50 toneladas de colmo por hectare e 70 litros de etanol por tonelada de colmo. Esta, inclusive, tem sido considerada uma produtividade referência para a cultura do sorgo sacarino.

A partir da experiência, André faz algumas recomendações. Para a safra 2012/2013, redução de custos, melhor planejamento e adequações de manejo visando a melhoria dos rendimentos precisam ser buscados. Outras indicações do pesquisador são o escalonamento do semeio (com cultivares tardios em outubro/novembro e cultivares precoces em dezembro/janeiro), espaçamento com o maior número de linhas por hectare e população final de 120.000 plantas por hectare.

Está aberta a possibilidade de expansão da cultura nas próximas safras. O ponto de partida é entender melhor o sorgo sacarino, tendo-o, sempre, como opção ao cultivo da cana para produção de etanol, nunca como substituto. A época em que ele rende mais também está clara, sendo a entressafra da cana a mais indicada, justamente quando as usinas costumam ficar ociosas. Acima de tudo, porém, o correto manejo da cultura pode proporcionar aumentos consideráveis de produção e de produtividade do sorgo sacarino, colocando-o como opção rentável ao produtor rural brasileiro.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento