Expansão de lavouras de milho pode conter preços, diz Credit Suisse

06/01/2012

Preços globais do milho devem trabalhar de lado ou em baixa nos próximos meses, afirma instituição

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Os preços globais do milho devem trabalhar de lado ou em baixa nos próximos meses, mas uma interrupção da oferta devido ao clima desfavorável pode desencadear outro rali, informou nesta quinta-feira Ric Deverell, diretor de pesquisa global de commodities do Credit Suisse. Produtores em vários países, incluindo os Estados Unidos, responderam aos preços acentuadamente maiores em julho ao mudar do cultivo de milho para o de soja, disse ele em uma conferência.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), as cotações do milho no curto prazo alcançaram um nível recorde de quase US$ 8 por bushel e, desde então, têm operado tão baixo quanto US$ 6 por bushel. Ontem, o grão fechou cotado a US$ 6,5850 por bushel. Deverell acrescentou que uma produção maior pode manter os preços sob controle por enquanto, mas os fundamentos em geral são fortes porque a oferta do milho continua tão apertada quanto nas últimas quatro décadas.

No ano passado, os Estados Unidos, maior exportador do grão no mundo, expandiram a área plantada com o grão, mas a produção ainda caiu devido às condições climáticas adversas. O país normalmente responde por mais de 50% do comércio mundial de milho, mas deve encolher neste ano. Os estoques no final da temporada 2011/12 devem cair para 21,6 milhões de toneladas, ante 28,7 milhões de toneladas em 2010/11.

Perto de 40% da colheita norte-americana de milho é destinada à produção de etanol, segundo Deverell. Com o petróleo acima de US$ 100 o barril e, levando-se em conta os incentivos do governo, ainda é econômico misturar gasolina com etanol, completou ele. No entanto, o crescimento do comércio global de milho pode desacelerar, caso os planos da China de ampliar a safra doméstica e reduzir as importações forem bem sucedidos, disse o diretor.

Em abril de 2009, a China se tornou um importante importador de milho pela primeira vez em quase 15 anos. Traders disseram que o país pode ter comprado quase 4 milhões de toneladas dos EUA entre março e setembro de 2011. Deverell afirmou que o clima continuará sendo um fator crucial para determinar os preços, que podem subir ainda mais, se o clima seco persistir na América do Sul.

O impacto da seca no Brasil e na Argentina no tamanho da próxima colheita não está totalmente claro ainda, mas tais condições podem reduzir a produção e impulsionar os preços novamente. A Argentina é o segundo maior exportador de milho do mundo. O país embarcou 15,4 milhões de toneladas no ano comercial encerrado em 30 de julho de 2011, alta de 19% ante 2009/10, de acordo com o Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês). As informações são da Dow Jones.

Fonte: http://www.tosabendo.com/conteudo/noticia-ver.asp?id=198291