Farelo de soja é a commodity do ano

Imagem: Fernando Weberich, SXC Imagem: Fernando Weberich, SXC

27/04/2012

O futuro do farelo de soja, a proteína na ração que deixa os frangos polpudos e suculentos, já subiu 34% este ano. A alta do preço do farelo amarelo, um subproduto da soja que parece gérmen de trigo, está superando a do petróleo e a do ouro. 
A disparada no preço é uma consequência pouco conhecida da seca na América do Sul, que levantou a cotação da própria soja em 23%. Como a soja está cara demais, as empresas que a esmagam para transformá-la em produtos da cadeia de suprimento alimentar têm hesitado em aumentar a produção porque os preços do óleo vegetal, outro subproduto do processo de esmagamento, não têm subido tanto. 
Ao mesmo tempo, a expansão da demanda chinesa também está impulsionando a cotação do farelo, à medida que a classe média do país aumenta e começa a consumir mais carne. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, ou Usda na sigla em inglês, prevê que os rebanhos chineses consumirão cerca de 46,5 milhões de toneladas de farelo de soja este ano, 24% a mais que dois anos atrás. Nos EUA, os criadores de frango e outros animais também devem usar mais farelo de soja este ano do que o previsto antes. 
E não há um substituto fácil, fator frequentemente citado pelos operadores e analistas para explicar a magnitude da alta do preço. 
A obscura commodity está começando a atrair atenção fora do pregão da Bolsa de Chicago, onde há muito os operadores realizam transações complexas para lucrar com a diferença de preço entre o grão, o farelo e o óleo de soja. 
"Os especuladores estão entrando no mercado", disse Chad Henderson, presidente da Prime-Ag Consultants Inc., uma corretora de commodities sediada no Estado americano de Wisconsin. "O grão e o farelo viraram a menina dos olhos." 
Até 17 de abril, o número de apostas na alta da cotação realizadas por administradores de ativos como fundos de hedge superaram as apostas na queda da cotação em 94.500 contratos, avaliados em cerca de US$ 4 bilhões, segundo a Comissão de Futuros de Commodities dos EUA. Até o fim de dezembro, eram as apostas na queda da cotação que dominavam. 
Nos últimos dois anos, o volume de negociações com futuros e opções de farelo de soja subiu 25%, atingindo um valor total de cerca de US$ 10 bilhões. 
Mas alguns analistas alertam que os investidores não devem contar com o ovo antes de sair da galinha. Sem um substituto natural, os produtores de frango podem diminuir suas criações para não ficar no prejuízo, até que os preços do frango subam o suficiente para compensar a alta da ração. 
"Estou só esperando ele atingir o pico", disse Anne Frick, analista sênior da Jefferies Bache, em Nova York. 
Cerca de 42% da ração de frango é composta de farelo de soja. Os grandes processadores de grãos transportam o farelo em vagões graneleiros ou caminhões para criadores de frango e outros animais, que o misturam ao milho ou trigo. 
A volatilidade maior do preço nos últimos anos — e a alta recente dos futuros — tornou difícil para os criadores de frango decidir onde comprar os grãos para a ração. 
Se uma empresa na indústria altamente competitiva do frango garante um preço para o farelo e depois ele cai, isso pode derrubar os lucros. 
No início do mês, as previsões dos EUA para o consumo de farelo no ano fiscal a terminar em 30 de setembro subiram em 1,3%, para 30,6 milhões de toneladas. 
O Usda também diminuiu em 6,9% suas previsões para o estoque mundial de farelo no final deste período, para 6,89 milhões de toneladas. 
Enquanto isso, um fator que tem elevado a cotação do farelo e do grão de soja é a piora das estimativas da safra da América do Sul. No dia 3 de abril, a principal bolsa de grãos da Argentina, terceiro maior exportador de soja do mundo depois dos EUA e do Brasil, reduziu sua previsão da produção de soja do país em 3,1%, para 43,1 milhões de toneladas, devido à seca que reduziu o rendimento da safra mais do que o previsto. 
O futuro do farelo de soja, a proteína na ração que deixa os frangos polpudos e suculentos, já subiu 34% este ano. A alta do preço do farelo amarelo, um subproduto da soja que parece gérmen de trigo, está superando a do petróleo e a do ouro. 

A disparada no preço é uma consequência pouco conhecida da seca na América do Sul, que levantou a cotação da própria soja em 23%. Como a soja está cara demais, as empresas que a esmagam para transformá-la em produtos da cadeia de suprimento alimentar têm hesitado em aumentar a produção porque os preços do óleo vegetal, outro subproduto do processo de esmagamento, não têm subido tanto. 

Ao mesmo tempo, a expansão da demanda chinesa também está impulsionando a cotação do farelo, à medida que a classe média do país aumenta e começa a consumir mais carne. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, ou Usda na sigla em inglês, prevê que os rebanhos chineses consumirão cerca de 46,5 milhões de toneladas de farelo de soja este ano, 24% a mais que dois anos atrás. Nos EUA, os criadores de frango e outros animais também devem usar mais farelo de soja este ano do que o previsto antes. 

E não há um substituto fácil, fator frequentemente citado pelos operadores e analistas para explicar a magnitude da alta do preço. 

A obscura commodity está começando a atrair atenção fora do pregão da Bolsa de Chicago, onde há muito os operadores realizam transações complexas para lucrar com a diferença de preço entre o grão, o farelo e o óleo de soja. 

"Os especuladores estão entrando no mercado", disse Chad Henderson, presidente da Prime-Ag Consultants Inc., uma corretora de commodities sediada no Estado americano de Wisconsin. "O grão e o farelo viraram a menina dos olhos." 

Até 17 de abril, o número de apostas na alta da cotação realizadas por administradores de ativos como fundos de hedge superaram as apostas na queda da cotação em 94.500 contratos, avaliados em cerca de US$ 4 bilhões, segundo a Comissão de Futuros de Commodities dos EUA. Até o fim de dezembro, eram as apostas na queda da cotação que dominavam. 

Nos últimos dois anos, o volume de negociações com futuros e opções de farelo de soja subiu 25%, atingindo um valor total de cerca de US$ 10 bilhões. 

Mas alguns analistas alertam que os investidores não devem contar com o ovo antes de sair da galinha. Sem um substituto natural, os produtores de frango podem diminuir suas criações para não ficar no prejuízo, até que os preços do frango subam o suficiente para compensar a alta da ração. 

"Estou só esperando ele atingir o pico", disse Anne Frick, analista sênior da Jefferies Bache, em Nova York. 

Cerca de 42% da ração de frango é composta de farelo de soja. Os grandes processadores de grãos transportam o farelo em vagões graneleiros ou caminhões para criadores de frango e outros animais, que o misturam ao milho ou trigo. 

A volatilidade maior do preço nos últimos anos — e a alta recente dos futuros — tornou difícil para os criadores de frango decidir onde comprar os grãos para a ração. 

Se uma empresa na indústria altamente competitiva do frango garante um preço para o farelo e depois ele cai, isso pode derrubar os lucros. 

No início do mês, as previsões dos EUA para o consumo de farelo no ano fiscal a terminar em 30 de setembro subiram em 1,3%, para 30,6 milhões de toneladas. 

O Usda também diminuiu em 6,9% suas previsões para o estoque mundial de farelo no final deste período, para 6,89 milhões de toneladas. 

Enquanto isso, um fator que tem elevado a cotação do farelo e do grão de soja é a piora das estimativas da safra da América do Sul. No dia 3 de abril, a principal bolsa de grãos da Argentina, terceiro maior exportador de soja do mundo depois dos EUA e do Brasil, reduziu sua previsão da produção de soja do país em 3,1%, para 43,1 milhões de toneladas, devido à seca que reduziu o rendimento da safra mais do que o previsto. 

Fonte: The Wall Street Journal, escrito por Owen Fletcher e Andrew Johnson Jr. (colaborou David Kesmodel)