Metas de redução de emissões devem ser ambiciosas e justas, diz governo

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08/07/2015

As metas de redução de emissões de gases de efeito estufa a serem assumidas pelos países devem ser ambiciosas, mas justas. Foi o que afirmou nesta segunda-feira (6/7) o diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santiago, diurante o Ethanol Summit, em São Paulo (SP). Ele participou de um debate sobre a importância do etanol no contexto das mudanças climáticas, em que teve destaque a próxima Conferência do Clima (COP-21), a ser realizada em dezembro, em Paris.

"Não é justo que países que menos contribuíram para o atual cenário de emissões façam mais do que deveriam", avaliou Santiago. Ele defendeu ainda que as metas a serem assumidas pelos países considerem suas situações macroeconômicas. Questionado sobre a do Brasil, informou que os cenários ainda estão sendo estudados para a elaboração da proposta que será levada para a COP 21, em que serão assumidos compromissos globais a serem cumpridos a partir de 2020.

"Estamos aguardando os cenários não só para o Brasil e para o mundo, qual vai ser o resultado para apresentarmos uma proposta que seja ambiciosa, mas factível porque lá na frente, o governo brasileiro vai entrar em um exercício de apresentar se o que ele prometeu lá atrás está sendo cumprido", disse Santiago.

Apesar do país não ter cumprido parte das metas assumidas em 2009, durante a Conferência do Clima em Copenhague (COP-15), o diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente acredita que o Brasil chegará a Paris em uma boa condição. Ele lembrou, por exemplo, da redução dos índices de desmatamento da Amazônia, registrada, principalmente, desde 2005. "A gente ainda tem que reduzir muito, mas já houve um avanço significativo", avaliou. "Mas não podemos deixar de lado para o pós 2020 o que já foi feito no pré-2020", acrescentou.

Para Adriano Santiago, a recente liberação das exportações de carne bovina in natura do Brasil para os Estados Unidos deve ser vista como mais um item no compromisso do país com as mudanças climáticas. "Atender esse mercado vai exigir um grande desafio de sustentabilidade."

Com relação à energia renovável, mais especificamente o etanol, o representante do Ministério do Meio Ambiente lembrou que o acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos, apresentado na semana passada pelos presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, prevê uma participação de 28% a 33% das energias renováveis na matriz energética.

"O etanol vai ter um papel fundamental para alcançar esse patamar lá na frente, falando de biocombustíveis no transporte. Outro ponto importante é o papel da energia renovável na matriz elétrica, que vai requerem um investimento em cogeração de bagaço de cana. E o setor vai trazer uma contribuição importante", avaliou.

O diretor do Agroicone, Rodrigo Lima, avaliou que o acordo Brasil e Estados Unidos e o que venha a ser fechado em nível global na Conferência de Paris são sinalizações importantes. Disse ainda acreditar que, do ponto de vista político, o Brasil chegará fortalecido à Conferência de Paris, principalmente por causa da redução do desmatamento.

No entanto, manifestou preocupação com a capacidade do país de planejar as políticas políticas que vão ser adotadas para o cumprimento dos seus próprios compromissos relacionados à mudança climática. "O Brasil vai capturar um pouquinho em termos financeiros, não o todo. Mas a gordura pra queimar acabou. Tem que olhar para outros setores", disse ele, mencionando a agropecuária e energia.

Durante sua apresentação, Lima avaliou que, em um cenário de estagnação da produção brasileira de cana-de-açúcar, o potencial de redução das emissões de gases chega a 569 milhões de toneladas de carbono equivalente até 2030. Em um cenário de expansão da produção, essa mitigação poderia chegar a 1,14 bilhão de toneladas. Considerando um preço variando de US$ 39 a US$ 55 por tonelada, ele calcula um "benefício" adicional de R$ 87,2 bilhões (R$ 0,60 por litro de etanol).

"O acordo da COP 21 vai exigir a adoção de políticas públicas. O que precisa saber é até que ponto a cana-de-açúcar e o etanol farão parte disso", questionou o diretor do Agroicone. "A gente quer explorar isso em todo o seu potencial ou vamos aproveitar só um pouquinho? Se o Brasil quiser jogar fora esse potencial, vai dar um tiro no pé."

Para ele, é preciso uma política estruturada para o setor de cana-de-açúcar, com um horizonte de até 20 anos, a ser adotada pelo estado brasileiro, independente de quem estiver no governo. Ele destacou que a indústria de cana-de-açúcar passa por dificuldades e que, nesta safra, talvez não seja processada toda a cana que está no campo. "O setor precisa voltar a investir, não apenas pagar a conta."

Fonte: Udop, com informações do Globo Rural (escrita por Raphael Salomão)