Milho: Teto maior para plantar

Imagem: Alexandre Jaeger Vendruscolo, SXC Imagem: Alexandre Jaeger Vendruscolo, SXC

24/08/2012

Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na quinta-feira (23) a ampliação, de R$ 500 mil para R$ 800 mil, no teto adicional para financiamento de custeio nas lavouras de milho e sorgo, disse o secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, João Rabelo. Ele declarou que o objetivo da medida é incentivar o plantio de milho, insumo básico para a produção de suínos e aves, e adicionalmente o CMN estendeu a autorização também para o custeio de sorgo.

O incentivo à produção, de 69 milhões de toneladas na safra passada, ocorre em um momento de pressão inflacionária nos preços do milho, causada pela quebra de safra nos Estados Unidos.

Na safra 2011/12, Mato Grosso respondeu por quase 40% da segunda safra nacional do grão e manteve mais um recorde ao ampliar em 122% a produção que passou de 6,99 milhões de toneladas para 15,58 milhões, o que garantiu, por mais um ano, a liderança nacional do milho segunda safra.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Carlos Fávaro, avalia que toda medida que amplia recursos e linhas de financiamento são sempre “muito bem-vindas”, no entanto, como destaca, o atual problema de escassez nada tem a ver com falta de produto, pelo contrário, o Brasil colheu em 2012 a sua maior segunda safra de milho. “O problema atual reflete a falta de logística e infraestrutura. Há milho em excedente no Estado, cerca de 5 milhões a 5,5 milhões de toneladas, que poderiam estar suprindo demandas no Nordeste e no Sul do Brasil, por exemplo”.

Fávaro frisa que o novo limite pode ser um diferencial para tomada de decisão do produtor ao planejar a safra 2012/13, que no Estado, tem início em menos de 30 dias. “Com a tendência de preços remuneradores e firmes para a soja, poderá haver mais espaço à oleaginosa em detrimento do milho. Talvez o limite, possa garantir mais áreas ao grão”.

De todo modo, Fávaro é contundente ao frisar que para o milho bastam duas coisas, “infraestrutura e ação da União”. Como explica, com preços atrativos, o milho está sendo exportado. “O governo precisa intervir para segurar, e logo, esse milho no país, e criar mecanismos para que a indústria nacional possa comprá-lo. Neste momento, o produtor não precisa de intervenções do governo porque a saca no mercado está acima do preço mínimo. Quem precisa é a indústria para que internamente haja atrativos para a comercialização, como por exemplo, equalizando com o preço exportação. É preciso haver equilíbrio na cadeia produtiva, porque senão tudo sobre, ração, a carne e isso explode no bolso do consumidor”.

De acordo com o presidente da Aprosoja/MT, a política urgente ao setor não apenas supriria a demanda interna como evitaria que o milho recém-colhido no Estado estrague, já que há muitas toneladas estocadas a céu aberto justamente por falta de infraestrutura e logística e não de demanda. “A intervenção tem de ser para ontem (23). O mercado deu uma esfriada porque não tem mais como movimentar o grão, já que a greve dos ficais federais estrangulou a exportação. Tão logo haja a retomada dos serviços nos portos, o grão voltará a escoar para fora do Brasil e ficará cada vez mais difícil a busca por equilíbrio na cadeia”.

MATO GROSSO – Independentemente da expansão do teto de financiamento, Mato Grosso projeta novo recorde ao grão na safra 2013. Conforme estimativas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a área plantada passa de 2,50 milhões de hectares para um novo recorde, 2,91 milhões, motivada pelo cenário positivo frente às perdas nos Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil, escrita por Marianna Pires