Produção agropecuária tem alta de 16,4% e soma R$ 1,67 bilhão

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16/12/2015

A arrecadação do setor agrícola regional deve ser beneficiada pela melhora nas condições climáticas associada à alta de preços dos principais cultivos na safra atual. A projeção do IEA (Instituto de Economia Agrícola) é de que a renda da cadeia agropecuária cresça 16,4% nos 18 municípios que integram o EDR (Escritório de Desenvolvimento Rural) de Araçatuba, na comparação entre os resultados de 2015 e 2014.

Segundo a pesquisa Estimativa do Valor da Produção Agropecuária, o agronegócio da região deve somar R$ 1,672 bilhão no ano agrícola 2015, R$ 235 milhões a mais ao R$ 1,436 bilhão de 2014. No ano passado, o setor teve uma perda de 8,8% na receita, em relação ao faturamento de 2013.

O diretor do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste) Fábio Brancato, diz ter constatado uma elevação da rentabilidade do agrone-gócio na região em 2015. "Alguns fatores contribuem para essa evolução, as chuvas que ocorreram nas épocas necessárias, a alta do dólar que influencia os preços e as exportações que estão aquecidas".

A valorização da cana-de-açúcar e da arroba do boi gordo são fatores fundamentais para a previsão de capitalização do campo araçatubense em 2015, conforme o pesquisador do IEA Danton Leonel de Camargo Bini, um dos responsáveis pelo estudo. "Em específico para cana, esses dados indicam um encaminhamento de recuperação lenta para o setor."

A estimativa do IEA é de que o valor de produção da cana-de-açúcar tenha um salto de 13,1% no atual ano agrícola, ante o anterior. A previsão é de que a renda da cultura se eleve de R$ 854,967 milhões para R$ 967,645 milhões, em 2015 - alta de R$ 112,677 milhões.

A estiagem prolongada no ano passado interferiu no cultivo da cana-de-açúcar, resultando em quebra de produtividade em 2014. A produção encolheu 15,1% na safra anterior, passando de 18.861.447 toneladas no ano agrícola 2013, para 16.375.560 toneladas, em 2014, segundo dados do IEA. Como reflexo, a receita da cana retraiu 11%, na comparação entre os valores do ano passado e o retrasado. "O clima em 2015 não foi um fator que levou o produtor a perdas significativas como aconteceu com algumas culturas em 2014", explica Bini. Segundo dados da Ciiagro (Centro Integrado de Informações Agrometeorológi-cas), a precipitação acumulada de janeiro a novembro de 2015 soma 1.214,7 mm, 27,4% a mais que os 953,3 mm do mesmo período do ano anterior.

Demanda
O pesquisador do IEA esclarece que o crescimento da demanda mundial por açúcar esperado para 2016 apresenta uma perspectiva de maior valorização da matéria-prima. O déficit da safra global de açúcar na temporada 2015/2016 - que se iniciou em outubro - deve alcançar 3,8 milhões de toneladas, calcula a consultoria em futuros e commodities INTL FCStone.

Para Fábio Brancato, a valorização do dólar ante o real neste ano tem beneficiado as empresas que exportam açúcar, o que colabora para uma melhora do valor de produção da cana em 2015.

Além disso, o produto registrou valorização no mercado interno ao longo deste ano. O preço do açúcar cristal no mercado spot paulista alcançou recorde na semana passada, ultrapassando o patamar de R$ 80. A cotação do produto chegou a R$ 80,75 (a saca de 50 quilos), conforme indicador do Cepea/Esalq de ontem (14), 55,1% a mais que a cotação de R$ 52,06, de 15 de dezembro de 2014.

Já o litro do etanol hidratado, outro produto obtido a partir da cana-de-açúcar, foi cotado em R$ 1,7002, na semana de 7 a 11 de dezembro, no mercado paulista. O valor é 34,3% superior aos R$ 1,2655, da semana de 8 a 12 de dezembro de 2014.

Carne bovina e soja também rendem mais para produtores

No ano agrícola atual, a receita da carne bovina e da soja na região também deve apresentar evolução em relação a 2014. A expectativa do IEA é de que o valor de produção da pecuária se eleve 33,2% no período, passando de R$ 227,914 milhões para R$ 303,607 milhões.

Já a renda do cultivo do grão deve crescer 33,11%. No ano agrícola 2014, a soja gerou R$ 56,400 milhões. A expectativa é de que a leguminosa alcance R$ 71,586 milhões neste ano.

As chuvas que caíram na época certa permitiram que a soja se desenvolvesse melhor neste ano, conforme o diretor do Siran Fábio Brancato. As melhores condições climáticas também favorecem a pecuária. "A seca do ano passado prejudicou muito o pasto, mas a chuva de 2015 possibilitou uma recuperação rápida".

A criação de bovinos também é beneficiada neste ano pela alta da arroba que, em abril, atingiu o recorde R$ 150 em Araçatuba. Desde então, a cotação do boi gordo oscila entre valores próximos deste patamar. De acordo com a Scot Consultoria, valia R$ 149 na quarta-feira (9), 2,7% a mais do que os R$ 145 do mesmo período do ano anterior.

A saca de 60 quilos da soja também está valendo mais - atingiu R$ 80,27 na sexta-feira (11), ante R$ 61,17, em 11 de dezembro de 2014, segundo relatórios do indicador da soja Esalq/BM&FBovespa - Paranaguá.

Exportação
A elevação do dólar também traz condições melhores para quem exporta os dois produtos. No caso do grão, a previsão do aumento de seu valor de produção ocorreu também pela ampliação da área da cultura, explica o pesquisador do IEA Danton Leonel de Camargo Bini. Segundo Brancato, na região, o plantio do grão se expandiu nas áreas de renovação de canaviais.

Além da cana, da carne e da soja, outras duas produções devem ter ganhos em 2015, segundo o IEA: ovos de galinha (aumento de 9,6%) e leite (17%).

Fonte: Udop, com informações da Folha da Região (escrita por Rafaela Tavares)