Produtores de arroz investem na parceria com a soja

Imagem: Ronald Mendes/RBS (retirada de http://planetaarroz.com.br/site/noticias_detalhe.php?idNoticia=11618) Imagem: Ronald Mendes/RBS (retirada de http://planetaarroz.com.br/site/noticias_detalhe.php?idNoticia=11618)

25/02/2013

Há mais de meio século, a família de André Renato Lavall, 44 anos, produz arroz. A monocultura na lavoura durou até dois anos atrás, quando o produtor decidiu fazer dobradinha com a soja. Não é o único: 25% das áreas de arroz no Estado hoje dividem espaço com a oleaginosa. Uma tendência confirmada também por números absolutos: são cerca de 250 mil hectares de soja em várzea neste ciclo, 50 mil hectares mais do que no ano passado, segundo dados da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz) e do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Os motivos vão da estabilidade econômica proporcionada pela soja aos benefícios da rotação de culturas. Foi neste último ponto que Lavall se apegou para plantar 120 hectares de soja e 250 de arroz em Restinga Seca — cidade que realiza até amanhã a 23ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz:

— Precisava fazer uma limpeza do arroz vermelho, que já não saía com herbicida.

Responsáveis por uma depreciação de até 30% do valor do cereal no mercado, o arroz vermelho e o preto têm ficado mais resistentes a herbicidas. A rotação com a soja, neste caso, ajuda na limpeza da área, além de deixar nutrientes como o nitrogênio.

— Hoje, existem variedades de soja adaptadas. Antes, não havia tecnologia, porque o arroz é uma das únicas plantas que precisam estar quase constantemente submergidas na água — explica Ireneu Orth, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS).

Nem mesmo o fato de a lucratividade ser historicamente menor nas áreas de arroz do que nas regiões onde se cultiva soja e milho é capaz de tirar o entusiasmo, avalia o chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Amélio Dall'Agnol:

— O produtor está satisfeito, porque percebe que está ganhando mais do que só cultivando arroz.

Para quem pretende investir na dobradinha, o presidente da Federarroz, Renato Rocha, alerta:

— É preciso ter um bom sistema de drenagem, procurar variedades adaptadas ao solo úmido e redobrar os cuidados com enchente ou seca.

Fonte: Zero Hora