Safra de grãos deve estabelecer novo recorde

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26/09/2012

Com a ajuda do clima o Brasil deve estabelecer um novo recorde produtivo na temporada 2012/13. O Governo Federal trabalha com projeção otimista e aposta em resultados na ordem de 180 a 200 milhões de toneladas, afirma Mendes Ribeiro Filho, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). No ciclo 2011/12 foram 165,8 milhões de toneladas, resultado 1,9% acima das 165,2 milhões de toneladas passadas.

Crescimento enfraquecido especialmente pelas condições climáticas. Efeitos do fenômeno La Niña incidiram diretamente sobre as principais culturas de verão de primeira safra, sobretudo as de milho primeira safra e soja nos estados do Sul e Mato Grosso do Sul.

"A próxima safra será de novo recorde e assim sucessivamente", afirmou Mendes Ribeiro Filho, durante breve passagem por Sorriso, município a 420 quilômetros de Cuiabá e onde participou do lançamento oficial da safra de soja. Em 2013 o país deve alcançar o posto de maior produtor mundial de soja, ultrapassando inclusive os Estados Unidos, estima o Departamento de Agricultura do país (USDA, sigla em Inglês).

"Já atingimos os 160 milhões de toneladas que precisávamos e já temos a maior safra em tonelada. Mas queremos no próximo ano chegar a 200 milhões e será um grande desafio", prospectou ainda Mendes Ribeiro Filho.

Para o ministro, ainda não é possível mensurar o comportamento das culturas no campo. Em 2012, por exemplo, a produção da safra de milho (verão + 2ª safra) superou 72 milhões de toneladas e tornou-se o principal produto em volume do país. De soja - atual carro-chefe do agronegócio nacional - foram 66,3 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Produção maior do cereal - representando 43,8% da safra total - foi sustentada pelo avanço da segunda safra. Secretário de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Caio Rocha lembra que o crescimento se deu mesmo em meio à uma série de fatores desfavoráveis.

"Apesar de todas dificuldades que tivemos neste ano com seca no Sul e Nordeste, tivemos uma grande safra de milho. E não deve faltar milho, pois o país é autosuficiente", avaliou o representante, referindo-se ao temor de baixa disponibilidade do produto em 2013.

No maior produtor
Somente Mato Grosso - principal produtor brasileiro de grãos - deve ofertar no próximo ano 38 milhões de toneladas entre soja e milho, calcula o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A oleaginosa mantém-se como produto número um do agronegócio, com uma safra avaliada em 24,1 milhões de toneladas, enquanto para o cereal são outros 13,9 milhões de toneladas.

Mas em 2012 o estado também experimentou pela primeira vez na história uma trajetória diferente no tocante a produção das culturas. De forma inédita a safra de milho tornou-se maior que a da soja, inclusive em municípios conhecido pelo potencial da sojicultura.

Em quatro cidades - Sorriso, Lucas do Rio Verde, Vera e Cláudia - o crescimento expressivo fez a produção do milho superar a da soja. De acordo com o Imea, em Sorriso, a safra de milho tornou-se 28% maior que a da oleaginosa: 2,5 milhões de toneladas de cereal para 1,9 milhão de toneladas da soja. Já em Lucas do Rio Verde, a mesma relação chega a 914,7 mil toneladas do milho segunda safra para 701,4 mil toneladas de soja. Em Vera e Cláudia, as safras de milho tornaram-se 4,6% e 26% maiores que as de soja, respectivamente.

Mas para o gestor do núcleo técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), mesmo diante do crescimento o milho não deve ultrapassar a soja em produção total em um curto intervalo de tempo.

"Se ocorrer vai demorar um pouco porque para se produzir a mesma quantidade de soja com o milho teríamos que elevar em a área plantada com a soja", afirmou o representante.

Fonte: Leandro J. Nascimento